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publicado em 09 de abril de 2026
Questão de classe
A sala de aula é um território em disputa. Sobretudo pela equação do esforço por atenção dedicada sobre um determinado espaço de tempo, geralmente demarcado por um período de 50 minutos a uma hora. Fechar essa conta requer uma capacidade de adaptação constante que os professores acabam se habituando a exercer. O que não significa que isso seja um processo automático, pois em um mesmo trajeto sempre há novos percalços pelo caminho.
Ao observar as atenciosas composições realizadas pelo artista marroquino Hicham Benohoud em cada página do fotolivro The Classroom (A sala de aula ou La salle de classe, do original, em francês), perguntas começaram a surgir. Precisava saber diretamente do artista quais foram as suas motivações para a realização de um projeto ao mesmo tempo tão lúdico e profundamente crítico sobre a identidade pós-colonial de um país como o Marrocos. A transformação da sala de aula em um estúdio fotográfico promovida por Benohoud pode ser considerada uma verdadeira experiência visual pela liberdade, em contraste com as frustrações de quem sofreu com a rigidez de um sistema educacional precário, mais precisamente entre os anos de 1994 até 2002, período em que as fotos deste projeto foram feitas.
Também não há como refletir sobre a produção de um artista que reinventou as possibilidades trazidas pelo espaço da sala de aula, sem deixar de ser atravessado pela minha própria experiência enquanto professor de artes plásticas da rede pública de ensino da cidade do Rio de Janeiro, há cerca de 18 anos.
Benohoud nasceu em Marrakech, no Marrocos, em 1968. Depois de obter um diploma de bacharelado em artes plásticas em sua cidade, percebeu a escassez de opções em sua carreira: fazer um curso pedagógico de dois anos no chamado CPR (Centro Pedagógico Regional), ou frequentar uma escola de artes em Casablanca ou Tanger. Para ele, naquele momento da década de 80 não existiam condições financeiras para que pudesse continuar seus estudos no exterior, nem de ser artista em tempo integral, como desejava.
A escolha que restou foi se tornar professor de artes plásticas, algo totalmente contra a sua vontade. Talvez por isso Benohoud nunca tenha idealizado ou romantizado a profissão.
Corpos dóceis?
Apesar da rotina que o sistema educacional exige para a sua própria operacionalidade, o cotidiano escolar nunca é previsível. A escola é formada por espaços de convivência que propiciam uma experiência absolutamente diferente a cada dia. Afinal, são corpos inseridos em um espaço vigiado e distribuídos de forma a se submeterem a determinadas práticas de poder. Em uma sala de aula habitam sujeitos providos de emoções, vontades próprias. Indivíduos que, para se reconhecerem como tais, precisam fugir às tentativas de controle sobre os seus corpos, que não são assim tão dóceis, parafraseando o capítulo da obra referencial de Foucault, Vigiar e Punir. Ainda bem.
É sobretudo no capítulo “A arte das distribuições”, que Foucault caracteriza as relações de dominação pela técnica do poder disciplinar que organiza os indivíduos pelos espaços (sejam escolas, fábricas ou prisões) através do chamado quadriculamento ou princípio da localização imediata. Ou seja, cada corpo ocupa um lugar individualizado, de forma a se fragmentar no espaço e desagregar as coletividades em prol da utilidade, da produtividade e adequação às normas para o convívio em sociedade. Tomando como exemplo a dinâmica das escolas, as relações de controle temporal ocorrem na estipulação de horários de entrada e saída, recreação, e duração das aulas para cada disciplina, sempre marcadas pelo som da sirene entre as atividades.
A sala de aula como estúdio fotográfico
Quando começou a tirar fotos na sala de aula, Benohoud o fazia de forma espontânea. A ideia era combater a monotonia, pois uma hora naquele ambiente parecia uma eternidade. Para ele, os primeiros dez minutos de aula eram mais suportáveis, pois era o tempo que precisava para explicar aos alunos a tarefa que deveriam realizar. Era normal ele se sentir absolutamente entediado, sem ver o tempo passar. Foi isso que o inspirou a provocar os alunos, e a partir daí começou a produzir suas primeiras fotografias. Pedia gentilmente para que, diante de um estúdio improvisado, passassem e parassem diante da câmera, um por um. Não explicava nada, pois nem ele mesmo tinha muita clareza sobre o que estava fazendo. Dessa maneira, ele conseguia despertar a curiosidade e estimular os estudantes, pois eles se divertiam ao deixarem de lado as suas tarefas, mesmo que por alguns momentos, para viver uma experiência improvável.
Na maioria das vezes, eles eram cooperativos e participavam de maneira séria e aplicada, por mais estranhas que fossem as suas intervenções. Ficavam mais animados quando era permitido fazer algo normalmente proibido em sala de aula, como subir em uma mesa ou deitar no chão. O diretor da escola só pedia para ter cuidado para evitar qualquer incidente, especialmente quando se tratava de usar objetos cortantes, como arame ou galhos de árvores que eram trazidos para as encenações. Sua preocupação era apenas com a segurança dos estudantes, e não com o conteúdo das fotos produzidas pelo professor.
A arte é o exercício experimental da liberdade
Benohoud enfatizou que sua abordagem pretendia ser radical, pois discutir o autoritarismo do sistema está no centro deste projeto fotográfico. As imagens são repletas de gestos criativos, mas algumas cenas podem ser lidas sob uma estética mais ambígua, pois certas encenações sugerem opressão, violência e isolamento, justamente para criticar a autoridade que caracteriza uma sociedade de controle.
Quando o crítico Mário Pedrosa afirmou que “arte é o exercício experimental da liberdade”, a proposta é que a criação artística não seja apenas estética, mas um campo de experimentação prática de liberdade, política e ação social, para além dos cânones tradicionais. Por isso, perguntei a Benohoud de que forma conseguia colocar em exercício a sua metodologia de trabalho: “Antes de tirar fotos na sala de aula, levava comigo alguns esboços que pretendia traduzir em fotografias. Sabia de antemão o que devia pedir aos meus alunos, que aceitavam minhas instruções sem hesitar. Eles achavam meu pedido maluco. E isso os animava. Além disso, quando lhes pedia para posarem numa situação que consideraram contida, eles diziam que podiam ir ainda mais longe no que lhes propunha. Era uma forma sutil de me dizer que aderiam ao meu projeto e que me apoiavam até o fim. Seus olhos brilhavam.”
Mesmo tendo estabelecido uma relação de confiança, que transparece pela estranha beleza das imagens, também havia a necessidade de um distanciamento, pois considerava os alunos “modelos”, descartando qualquer possibilidade de coautoria no seu projeto.
Afinal, assistir aulas de artes plásticas é uma obrigação. Dessa forma, não é diferente de qualquer outra disciplina. Se os estudantes vêm assistir é porque faz parte do programa escolar e não existe outra escolha. É normal em nosso cotidiano docente ver mais de 100 alunos por dia ou mais de 600 por semana. Existe todo um esforço, mas é difícil lembrar os nomes e rostos de todos. Tão particular que os resultados desse processo muito provavelmente não vão corresponder às expectativas de quem participa deles: “As únicas vezes em que dei algumas fotos tiradas nessas sessões, eles não gostaram, acharam sem sentido. Para eles, uma foto bonita seria um retrato a cores com um grande sorriso.”
É bastante curioso que Benohoud tenha dito que quando começou a trabalhar nesse projeto, não tinha nenhuma referência artística da história da fotografia. Mesmo que se perceba uma combinação do cotidiano com o fantástico e o absurdo em seu trabalho, o que por vezes revela ecos de um ou outro artista da vanguarda surrealista, ele se esforçava para não seguir essa ou alguma tendência específica. Suas primeiras fotos eram usadas como referência nas aulas de pintura a óleo, pois era essa a técnica que o interessava na época.
Os primeiros retratos dos seus alunos foram feitos em slides coloridos (cromos) para que pudessem ser mais facilmente reproduzidos em pintura a óleo da forma mais fiel possível. As fotografias em preto e branco que conhecemos do seu projeto surgiram bem depois, produzidas ao longo do tempo de maneira totalmente despretensiosa, sem imaginar que pudessem interessar a alguém, muito menos serem expostas e publicadas.
Uma série, dois fotolivros e a mesma relevância
Ao contrário do que se possa pensar sobre um artista que trabalha com imagens, Benohoud nunca consultava seus arquivos, nem sequer via suas fotos. Em centenas delas, não tinha provas de contato e precisava ver os negativos em contraluz para ter ideia do material, sem nunca fazer ampliações para obter uma visão melhor.
A ideia de se produzir um livro sobre esse projeto veio inicialmente em 2001, quando foi contactado por um editor após preparar uma exposição dessa série na Galeria Vu, em Paris. Na época, entregou algumas centenas de fotos a esse editor, que acabou fazendo um livro com a sua visão. Em um primeiro momento, ficou com a sensação de ter sido excluído de suas próprias escolhas e acabou tendo que intervir para impor algumas fotos de sua preferência.
Mais de duas décadas depois, em 2025, foi novamente contactado por outra editora (a Loose Joints, de Londres), para fazer uma reedição do seu livro. Foi então que ele fez a proposta de produzir um outro livro, explicando que havia várias fotos que ele ainda não tinha visto. Foram resgatadas mais de duas mil imagens ainda em negativos, bem como a permissão de produzir uma nova publicação com a sensibilidade desses novos editores. Dessa vez, ficou surpreendido positivamente com o resultado. A premiação da Aperture no Paris Photo como melhor livro de fotografia do ano consagrou o esforço empenhado na criação desse novo trabalho. Ainda assim, espera um dia editar esta série apenas com a sua própria abordagem, sem a intervenção de terceiros.
Não deixe o artista virar professor
Criada e difundida em 1977 em panfletos performáticos pelo artista Ivald Granato, a famosa frase “Adote um artista, não deixe ele virar professor” foi em seguida resumida de maneira mais enfática para “Não deixe o artista virar professor”. A frase sempre me instigou, tanto que a tinha colada na parede da cozinha da minha casa para não esquecer do que eu realmente desejava. Até finalmente perceber que, por uma simples questão de subsistência, precisava lidar com essa crise e conciliar as duas atividades. De forma que as inquietações trazidas pelo artista também deveriam ser trabalhadas pelo professor, e vice-versa.
Mas lidar com a crise não é superá-la, e sim entrar em choque com as tarefas do ofício docente de ordenar, orientar e avaliar com as do artista, que busca por indefinições, incertezas, e tem a necessidade constante de provocar e desconstruir padrões. Talvez esse seja um dos principais conflitos do artista-professor em uma instituição de controle que é a escola. Sempre em uma posição desvantajosa em relação ao quadro formado pelas outras disciplinas, o professor de artes precisa demarcar território, encontrar brechas e subterfúgios para conseguir realizar o seu trabalho com qualidade, de forma a gerar alguma reflexão e criar sentido. Para ele realmente acontecer, é preciso incomodar, sair de qualquer previsibilidade ou zona de conforto. O que condiz com o pensamento do curador, artista e educador uruguaio Luis Camnitzer ao criticar abertamente o ensino de arte nas instituições formais, argumentando que ele se tornou uma “fraude” ao priorizar a técnica e o mercado em detrimento do pensamento crítico e da invenção.
E foi este o caminho que Benohoud tomou para tornar o cotidiano suportável e seu trabalho relevante dentro desse sistema de controle, já que nunca gostou de ser professor de artes, deixando claro que era apenas um trabalho para ganhar a vida. Talvez também não visse sentido por estar cansado de querer ensinar para quem não queria aprender. Mas a verdade é que sempre sonhou em ser artista em tempo integral e viver exclusivamente dos seus projetos. Quando teve oportunidade de deixar o ensino, não hesitou em nenhum momento e sequer teve tempo de pedir demissão. Deixou sua profissão assim que conseguiu construir uma rede de contatos na França para realizar residências artísticas e expor em uma galeria em Paris. Se organizou para conquistar os seus objetivos, que eram incompatíveis com o ambiente escolar. O caminho foi longo e perigoso, mas emocionante. E como ele mesmo me disse: só se vive uma vez. ///
Rafael Adorján (Rio de Janeiro, Brasil, 1982) é artista, fotógrafo e professor da rede pública municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro. Doutorando em Artes Visuais pelo PPGAV/UFRJ e mestre em Artes pelo PPGARTES/Uerj. Sua pesquisa está relacionada à sobrevivência da imagem nas interseções entre história, memória e cultura. Realizou exposições individuais e coletivas e possui três livros de fotografia publicados, sendo Religare, incluído na lista de melhores livros do Festival PhotoEspaña em Madri, em 2016, e na publicação referencial CLAP! 10×10 Contemporary Latin American Photobooks, editada pela 10×10 Photobooks, de Nova York.
Rafael Adorján comenta sobre os processos de criação de suas séries fotográficas a partir da relação direta existente com a tecnologia em sua produção artística.
Arte na Tecnologia: Temporada 03 - Episódio 05, exibida no Canal Arte 1
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Rafael Adorján comments on the processes of creating his photographic series based on the direct relationship with technology in his artistic production.
Art in Technology: Season 03 - Episode 05, exhibited on Arte 1 Channel
Múltiplo formado por 24 fotografias de celular de caixinhas de Natal pelas ruas do Rio de Janeiro.
Impressão em papel Photo Rag Baryta algodão brilho 315g separadas em 4 tiras dobradas com 6 fotos com 14 x 9,5 cm/cada, armazenadas em caixinhas produzidas artesanalmente.
Tiragem de 3 unidades.
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Multiple made up of 24 cell phone photographs of Christmas boxes on the streets of Rio de Janeiro.
Printing on Photo Rag Baryta cotton glossy 315g paper separated into 4 folded strips with 6 photos measuring 14 x 9.5 cm each, stored in handcrafted boxes.
Print run of 3 units.
SONÍRICA é um programa de afetividades sonoras. Um experimento, fruto de um desejo antigo de compartilhar seleções musicais comentadas. Gravado em casa de maneira amadora no formato de programa de rádio. Sem privilegiar estilos, a música vai nos conduzindo para os mais diferentes lugares.
As imagens que ilustram cada edição do programa é uma montagem diretamente relacionada ao universo das capas de álbuns, sempre a partir de um material utilizado para a criação de algumas de minhas séries.
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SONÍRICA is a sound affectivity program. An experiment, the result of an old desire to share commented musical selections. Home-recorded amateur radio show format. Without privileging styles, the music takes us to the most different places.
The images that illustrate each edition of the program are a montage directly related to the universe of album covers, always from material used to create some of my series.
https://www.mixcloud.com/rafael-adorján/sonírica-2-correntes-elétricas/
O projeto de criação sonora EDUCASOMOS foi resultante da experiência formativa desenvolvida durante a primeira edição da Residência Expresso Educação: Professor Pesquisador, oferecida pelo MAM Rio, está sendo desenvolvido coletivamente com o protagonismo dos alunos das turmas de 6º e 7º ano da Escola Municipal Manoel Cícero.
Trata-se de um podcast, que remete ao formato das radio-escolas a partir de atividades relacionadas ao retorno presencial dos alunos em sala de aula. O projeto procura responder à proposta lançada pela residência, de reflexão e desenvolvimento a partir dos desafios que o isolamento social e os formatos remotos trouxeram para a educação.
Para isso, foram utilizadas as ferramentas de fácil acesso que havia disponíveis. As gravações foram realizadas com o telefone celular e transmitidas através de plataformas de mensagens como whatsapp. O conteúdo desse material foi pautado a partir de três eixos de conhecimento: Escola, Comunidade e Museu.
Cada eixo foi desdobrado em diferentes formas de participação. Atividades sobre a história da escola, entrevistas, e a elaboração de um diário sonoro que envolve ações do cotidiano, estão entre as proposições para integrar o podcast.
Para acrescentar a essa pesquisa, contamos com a participação da atriz e professora Priscila Maia, que já vem desenvolvendo em nossa escola a oficina criativa “Palavras Dançantes”, de contação de histórias a partir do corpo em movimento.
O projeto foi marcado pelo período de transição das aulas no formato remoto e o gradual retorno presencial dos alunos à sala de aula. EDUCASOMOS se encontra disponível nas plataformas de transmissão nas redes e também foi promovido através da Cultura Digital e Educação em Rede, lançada pelo MAM Rio.
Para ouvir EDUCASOMOS em diferentes plataformas de transmissão:
O título dessa fotografia, “Avistamos um sobrevivente caminhando a esmo pelas ruas” pode realmente trazer um clima distópico, uma ideia de que o mundo (pelo menos como o conhecemos) realmente terminou. Uma das possibilidades ou exercícios que tenho à disposição nesses tempos de quarentena é observar da minha janela pessoas que saem às ruas (seja porque se aventuram, seja porque realmente precisam, ou ainda porque já vivem nas ruas e não tem outra opção). Não sei o caso da foto, mas pela minha fabulação, trata-se de um sobrevivente.
Foto cedida para os projetos FotosProRio, Quarentena days, e EM CASA, do Prêmio PIPA.
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The title of this photograph, “We spotted a survivor walking around the streets” can really bring a dystopian climate, an idea that the world (at least as we know it) has really ended. One of the possibilities or exercises that I have at my disposal in these quarantine times is to observe people coming out of my window (either because they venture out, because they really need it, or because they already live on the streets and have no other option). I know nothing about this case, but according to my fable, he is a survivor.
Photo courtesy for the projects FotosProRio, Quarantena days, and EM CASA, from PIPA Prize.
Avistamos um sobrevivente caminhando a esmo pelas ruas, 2020
A publicação Sans Accent | Sem sotaque, projeto realizado de forma colaborativa e a distância, em curto espaço de tempo, para a exposição Reply all, proposição do curador Raphael Fonseca. Dez artistas brasileiros foram selecionados para realizar trabalhos em conjunto com outros dez artistas residentes da cidade inglesa de Manchester, alunos da Manchester School of Art, sem jamais ter estabelecido qualquer tipo de contato entre si.
Por afinidade poética, o curador selecionou como meu parceiro o jovem artista e fotógrafo Wes Foster, de Hull, nos arredores de Manchester, e que também desenvolve uma produção artística relacionada a publicações. O processo de criação e desenvolvimento do trabalho foi realizado por completo durante pouco mais de um mês, entre o final de junho e o início de agosto de 2016, e apresentado logo em seguida na Grosvenor Gallery, que pertence à mencionada escola de arte britânica.
A ação do trabalho em conjunto teve a comunicação como fator de fundamental importância para o desenvolvimento da publicação, já que o processo de produção se deu quase que completamente a partir de e-mails, trocados entre os artistas, o curador e a assistente de curadoria do projeto em Manchester, Nuria Lopez de la Oliva. No intuito de estabelecer uma dinâmica comum de trabalho, sugestões foram surgindo nessas correspondências, em que um escrevia e apresentava referências sobre seu trabalho e o lugar em que vivia, enquanto o outro “reagia” a partir daquilo que havia recebido.
Repletos de trocas de imagens de nossas rotinas, relacionadas a elementos de classe, sociabilidade e paisagem, aos poucos fomos percebendo que ali mesmo, no conteúdo daqueles e-mails, já estávamos diante da fonte principal do que desejávamos para a concepção da obra em si. Sobrepondo a comunicação de ambos em inglês com as fotos produzidas por um e outro, fizemos uma edição experimental da publicação, sem definir autoria nem delimitar onde começa ou acaba a contribuição de cada um. O próprio título Sem sotaque, Sans accent, em inglês, surgiu como uma solução bem-humorada a partir da narrativa “entrecortada” pelos modos de lidar com os diferentes aspectos culturais existentes entre os dois países.
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The publication Sans Accent | Sem Sotaque a collaborative and short-distance project for the Reply all exhibition, proposed by curator Raphael Fonseca. Ten Brazilian artists were selected to work together with ten other artists resident in the English city of Manchester, students of the Manchester School of Art, without ever having any contact with each other.
By poetic affinity, the curator selected as my partner the young artist and photographer Wes Foster, who also develops an artistic production related to publications. The process of creating and developing the work was completed for a little over a month, between late June and early August 2016, and then presented at the Grosvenor Gallery, which belongs to the aforementioned British art school.
The action of working together had communication as a fundamental factor for the development of the publication, since the production process was almost completely based on e-mails, exchanged between the artists, the curator and the curator assistant. of the project in Manchester, Nuria Lopez de la Oliva. In order to establish a common work dynamics, suggestions emerged in these correspondences, in which one wrote and presented references about his work and the place where he lived, while the other "reacted" from what he had received.
Filled with exchanges of images of our routines, related to elements of class, sociability and landscape, we gradually realized that right there, in the content of those emails, we were already facing the main source of what we wanted for the conception of the work itself. . Overlapping the communication of both in English with the photos produced by each other, we made an experimental edition of the publication, without defining authorship or defining where their contribution begins or ends. The title itself “Sem sotaque, Sans accent”, in English, emerged as a humorous solution from the narrative "intersected" by the ways of dealing with the different cultural aspects existing between the two countries.
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Rafael Adorján, 2016
Trabalho apresentado na | work presented at Manchester School of Art in 2016
Projeto idealizado pela curadora Pollyana Quintella, de uma exposição itinerante e transportável em uma mala, com a participação de 15 artistas | Project designed by curator Pollyana Quintella, of a traveling and transportable exhibition in a suitcase, with the participation of 15 artists.
“Fragmento Flexível” | “Flexible Fragment”
Tiras de papel imantadas, dispostas de maneira fragmentada com a possibilidade de diversas reorganizações, uma espécie de jogo | Magnetized strips of paper, arranged in a fragmented manner with the possibility of various reorganizations, a kind of game
10 x 10 cm (cada conjunto) | (each set)
Rafael Adorján, 2017
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Tratando de reminiscências, tomamos aqui o esquecimento como força plástica. Nietszche entende que esquecer possibilita revificar as energias de uma sociedade ou de um homem, pois permite digerir o que já aconteceu, aliviando o peso do passado, amenizando acontecimentos dolorosos e a sobrecarga de lembranças. O esquecimento nos coloca diante de uma atitude de abertura, sem precauções diante do novo e do inesperado.
Além do exercício, correr também pode se apresentar como uma possibilidade para o esquecimento. Mas correr pra onde? Do que? Para que? De quem? Só penso que para esquecer, eu prefiro correr.
A cada vez que se corre, uma nova paisagem se apresenta e vai se sobrepondo à outra, enquanto deixamos memórias para trás. Talvez quanto mais rápido se corra, mais rápido também se possa esquecer. Tudo é uma questão de exercitar corpo e mente quando isso é muito mais que uma necessidade.
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In dealing with reminiscences, we take here forgetfulness as a plastic force. Nietszche understands that forgetting makes it possible to revive the energies of a society or a man, because it allows digesting what has already happened, relieving the weight of the past, softening painful events and the overload of memories. Forgetfulness puts us in the face of openness, with no precautions for the new and the unexpected.
Besides exercise, running can also present itself as a possibility for forgetfulness. But where to run? Than? For what? From who? Just think that to forget, I prefer to run.
Each time one runs, a new landscape presents itself and overlaps the other while we leave memories behind. Maybe the faster you run, the faster you can forget it too. It is all a matter of exercising body and mind when it is much more than a necessity.
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Rafael Adorján, 2016
Trabalho integrou a exposição | This work was part of the exhibition "Reminiscências" - Centro Cultural da Justiça Federal - CCJF - Rio de Janeiro - 2016
video HD | 04’ 59” | 2016
A Camisa EDUCAÇÃO NA RUA foi desenvolvida exclusivamente para o projeto Camisa Educação, criado há anos pela galeria A Gentil Carioca (RJ). A cada nova exposição, um artista é convidado para elaborar uma camisa, abordando o tema, e, em específico, que tenha nela a palavra Educação. “É a possibilidade de inserir o artista como agente social e cultural na sociedade”, segundo texto do site da galeria .
Como professor da rede pública municipal de ensino há mais de dez anos, acompanhei de perto as diversas manifestações ocorridas durante a histórica greve dos professores da rede municipal no ano de 2013, e que se repetiu no ano de 2014. A categoria não se mobilizava até se efetivar uma paralisação geral há 19 anos.
Inspirada nesse movimento, fotografei alguns desses atos, de onde surgiu a imagem selecionada para a camisa, que foi vetorizada e aplicada em silk screen sobre uma camisa preta.
Além da estampa, foi adicionada a confecção de um capuz, que remetia as vestimentas dos black-blocks, muitos estudantes da rede pública, mas que também foram utilizados por professores em um movimento apelidado de “black profs”.
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The EDUCAÇÃO NA RUA T-shirt was developed exclusively for the “Camisa Educação (Education T-shirt )” project, created years ago by the gallery A Gentil Carioca (RJ). At each new exhibition, an artist is invited to design a shirt, addressing the theme, and specifically that it has the word Education on it. “It is the possibility of inserting the artist as a social and cultural agent in society”, according to the gallery's website text.
As a teacher of the municipal public school system for over ten years, I closely followed the various demonstrations that occurred during the historical strike of the municipal teachers in 2013, which was repeated in 2014. The category was not mobilized until made a general stoppage 19 years ago.
Inspired by this movement, I photographed some of these acts, from which came the image selected for the shirt, which was vectorized and applied in silk screen over a black shirt.
In addition to the print, the addition of a hood was added, reminiscent of the black-block garments, many students from public schools, but also used by teachers in a movement called “black profs”.
Rafael Adorján, 2014
Publicação de colagens a partir de revistas dos anos 50 e 60 | Publishing collages from 50's and 60's magazines.
Impressão em papel de algodão | Printing on cotton paper | 180g
Trabalho em colaboração com | In collaboration with Thais Medeiros, 2013
Série de retratos realizadas para o fanzine do evento “Plano Sequência”, realizado no Plano B Lapa reunindo durante o mês de setembro de 2011, artistas plásticos e músicos em shows , performances sonoras e debates em prol do espaço.
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Series of portraits made for the event “Plano Sequência”, held at Plano B Lapa, bringing together during September 2011, plastic artists and musicians in concerts, sound performances and debates on behalf of space.
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link para a publicação | publication link
https://issuu.com/planoblapa/docs/planosequencia
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Curadoria | Curated by Beatriz Lemos e Fernando Torres, Rio de Janeiro, 2011
Revista de arte independente editada por | Independent visual art magazine edited by Beatriz Lemos, Rafael Adorján e Thais Medeiros.
03 edições entre | editions between | 2011 e 2014
200 exemplares (cada) | copies (each)
Editora Multifoco
Edição impressa à venda | Print edition for sale
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Elástica # 1 | capa por | cover by Carlos Contente - 2011
Elástica # 1 - Editorial por | by | Beatriz Lemos, Rafael Adorján e Thais Medeiros
Elástica # 2 | capa por | cover by Paulo Nazareth - 2012
Elástica # 2 - 2012
Elástica # 3 | capa por | cover by | os Editores (the editors) - 2014
Elástica # 3 - 2014
3ª Feira de Publicações Independentes | Independent Publishing Fair - Sesc Pompéia - São Paulo, 2014
2ª Feira Plana - MIS - São Paulo, 2014
Feira | Fair | Pão de forma - Rio de Janeiro, 2014
Lançamento | Release | Elástica # 1 - Coluna Gente Boa - Segundo Caderno - O GLOBO - novembro | november 2011